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A Pregação Satânica

A Pregação Satânica

Inegavelmente o cristianismo padece em nosso tempo numa profunda crise espiritual. As congregações locais não têm mais o poder de testemunhar, porque estão doentes. Observamos estarrecidos o despontar de uma época de terrível incredulidade e devassidão no meio cristão. Vivemos dias onde o evangelho não somente é desprezado, mas motivo de desdém. Estamos vivendo o tempo da blasfêmia e do combate ao cristianismo autêntico dentro e fora da igreja.

A corrupção humana sempre teve início com a negação da palavra de Deus. Adão e Eva caíram quando decidiram, juntos, desobedecer ao que o Senhor Deus tinha-lhes ordenados no jardim. Quando a Palavra de Deus foi desobedecida e silenciada em suas consciências, então veio a palavra de satanás. Ao dar ouvidos ao diabo, eles caíram terrivelmente em pecado, e com eles, toda a humanidade. Se a igreja deixar de anunciar a Palavra de Deus, sua mensagem será mundana, carnal e maligna. Quando o mundo levanta-se impetuosamente contra a verdade revelada, na tentativa de silenciá-la, ou de detê-la, este é o prenuncio de tempos difíceis. O apóstolo Paulo já advertia ao jovem Timóteo sobre a chegada desse tempo blasfemo:

"Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis… estes [homens] resistiram à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé [doutrina]" (1 Tm 3.1;8).

Mais uma vez vivemos tempos dificílimos. Até bem pouco tempo, a fé bíblica era atacada, desacreditada e considerada como algo atrasado e retrógado. Atualmente, as Escrituras não são vistas apenas como atrasadas, mas como nocivas ao bem. Confessar as doutrinas bíblicas passou a ser algo perigoso para os cristãos em sociedades ocidentais, até mesmo em países onde, pouco tempo atrás, as Escrituras tinham uma alta relevância para a sociedade.

A igreja do Senhor Jesus padece. Nossos irmãos estão sendo levados por «ventos» de doutrina e são levados facilmente como se fossem palha seca no meio de um furacão. Os televangelistas, as megaigrejas da prosperidade, a busca por sinais mirabolantes, e as promessas de solução de todos os problemas da humanidade, tudo isso apresentado como se fossem verdadeiras promessas bíblicas. Mas todas essas coisas nada mais são do que a negação da Bíblia. A mensagem da cruz perdeu a centralidade, aliás, ela foi completamente excluída da pregação em muitas igrejas. Agora, a cruz de Cristo se tornou ofensiva para muitos cristãos. O evangelho de hoje, que é aceitável e desejado pelo mundo, é o evangelho da negação da verdade absoluta, da negação da morte vicária, do sacrifício remidor, da ressurreição da morte e da vida eterna. O evangelho do nosso tempo é aquele que promete tesouros na terra, em lugar de prometer tesouros no céu. Essa nunca foi a mensagem de Jesus Cristo. A mesma voz que falou a Eva, no jardim, fala hoje em muitos púlpitos cristãos. O evangelho pregado hoje, é o evangelho satânico. Esta foi exatamente a proposta de Satanás ao Senhor Jesus:

"Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, MOSTROU-LHE TODOS OS REINOS DO MUNDO E A GLÓRIA DELES, e lhe disse: TUDO ISSO TE DAREI se, prostrado, me adorares." (Mt 4.8).

A única forma de lutarmos contra esses «tempos difíceis» é anunciando a falsidade de suas propostas através do autêntico evangelho de Cristo. Cabe à igreja ser a voz de Cristo para iluminar as trevas que recobrem nossa época. A cruz precisa estar no centro da pregação mais uma vez. Cristo, o Filho de Deus, precisa ser pregado novamente. Não há salvação sem a Cruz e sem Cristo pregado no madeiro.

Marcus Paixão é pastor da Igreja Batista Bom Samaritano, em Teresina (PI). É fundador do Curso de História e Teologia Batista (CHTB); mestre em teologia pastoral pelo Seminário Servo de Cristo (SP) e Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico do Nordeste - STNe (PI). Formado em História na Universidade Estadual do Piauí - UESPI. É escritor e autor de livros nas áreas de história e teologia.